Esta nossa viagem se transcorreu entre os dias 28 de fevereiro e 05 de março de 2003 (período de Carnaval), com visita às cidades de Belém do Pará, Soure na Ilha de Marajó e Macapá capital do Estado de Amapá.  

 

Visitamos a Ilha de Marajó no período de inverno (período chuvoso) o que nos permitiu conhecer os famosos alagados de Marajó.  

 

 

 

 

Nós compramos um pacote, via internet, para passar 2 dias e 1 noite na Ilha de Marajó.

Para chegar à Ilha tivemos que pegar este barco, denominado de “gaiola” e que tinha capacidade para 450 pessoas sentadas e ele foi lotado!

Embora o porto de Camará fique a uma distância de 83 km de Belém, nós levamos 4 horas para chegar lá!!!  

 

Mas é uma viagem agradável, passando pelas 39 ilhas que formam a área geográfica do  município de Belém (65,64% da área é formada pelas ilhas) distribuídas pelas Baías do Guajará e do Marajó.

 

A “gaiola” não balança muito, só quando a distância entre as ilhas aumenta bastante e o vento provoca algumas marolas.

 

Poucas pessoas vomitam, e quando o fazem é no chão mesmo.  

 

Ficamos hospedados na cidade de Soure, capital  “virtual“ e simbólica da Ilha de Marajó.

 

O búfalo é o animal símbolo da Ilha de Marajó. Dócil e de fácil manejo, apresenta uma carne com 50% menos colesterol que a dos bovinos.

Conta a lenda que, em meados do século XIX, um navio francês carregado de búfalos naufragou nas costas do Marajó, quando se dirigia para a Guiana Francesa. Os animais sobreviventes nadaram até a ilha iniciando a sua povoação.

Devido à sua cor preta (que absorve muito o calor) e à baixa quantidade de glândulas sudoríparas, o búfalo precisa ficar imerso na água para se resfriar. Observe eles se divertindo dentro dos alagados!  

 

Já a ave símbolo da Ilha é o guará  (Guara rubra), cujo habitat preferencial são os mangues. Apresenta uma coloração vermelho-viva e vive em bandos. Infelizmente só conseguimos avistar esta aí. Veja a cor reluzente das penas refletida na água.   

 

   

Nosso pacote turístico incluía uma visita a uma típica fazenda marajoara para criação de búfalos.

A Fazenda Bom Jesus apresenta um esquema padrão de recepção de turistas, expondo inclusive sua capelinha com inúmeras peças de arte barroca e servindo um lanchinho experto ao final da visita...  

 

A fazenda é administrada pela Médica Veterinária e Agrônoma Dra. Eva Bufaiad que decididamente é uma apaixonada pelo que faz.

 

Este aí é o seu búfalo de estimação que ela carinhosamente chama de “Meu Bebê”.

Ele se abaixa, deita e rola para ela.

 

 

E no final nos permite da uma cavalgada (ou “bufalada”) nele.

Comigo o “Meu Bebê” fez uma super cagada. Já com o João fez uma longa mijada...  

 

 

 

O couro do búfalo é de excelente qualidade para uso industrial (confecções). Alguns deles chegam a atingir uma espessura de 7 milímetros!

O curtimento deste couro é feito de forma artesanal na Ilha.

O curtume fica ao lado do abatedouro e, ao receber o couro fresco, coloca-o um local com grossas camadas de sal. Ali ele permanece por um ano.

Em seguida, é dessalgado em um tanque com água.

A pior parte e a mais importante é a retirada dos resíduos de carne e gordura que ficam aderidos ao couro com relativo mau cheiro...  

Depois de limpo, o couro é imerso em um caldo feito com água e pó de serragem de uma árvore da região.  

Esta árvore denominada popularmente de “Árvore do Mangue” (dos gêneros Rhizophora, Laguncularia e Avicennia), apresenta na sua constituição uma grande quantidade de tanino. O tanino tem a função de fixar e dar a cor característica do couro curtido.  

A madeira é artesanalmente moída num equipamento chamado localmente de “catitor”.  

 

A Ilha de Marajó localiza-se na confluência dos Rios Amazonas e Tocantins com o Oceano Atlântico. Faz parte do maior arquipélago fluvio-marítimo do planeta. Sua área é de quase 50 mil km2 , o equivalente ao Estado do Espírito Santo.

Entre os meses de fevereiro e maio, os campos e matas de planície da Ilha se transformam num imenso alagado entremeado por pradarias de um verde claro onde está o maior rebanho de búfalos do país.  

No início do século XIX, durante uma destas estações de chuva, objetos de cerâmica foram encontrados sob os cascos dos búfalos nas pastagens das fazendas: a famosa Cerâmica Marajoara.

 

Estes achados arqueológicos demonstram que existiu uma sociedade evoluída, estratificada em grupos sociais, e praticante da agricultura.

Os índios reproduziam seu mundo através da arte da queima do barro, ornamentados com desenhos, cujo significado não são ainda totalmente conhecidos.  

 

Carlos é um descendente destes índios e ainda mantém a cultura de fabrico da cerâmica  tal qual era feita na época.

A argila utilizada apresenta uma cor acinzentada tanto crua quanto cozida. O tom avermelhado é dado com um mineral denominado argilito, que tem a função de impermeabilizar a peça (processo de “engogo”). O argilito é espalhado pela peça crua (processo de “brunimento”) com o auxílio de uma presa de porco selvagem.  

As outras cores são obtidas a partir de outros minerais como se pode ver em sua “mesa de pintura” .

Depois, os desenhos são aplicados (processo de “grafismo”) e alguns símbolos o Carlos nos decifrou:

-         sapo significa cura e prosperidade e era oferecido principalmente aos noivos;

-         a figura estilizada do “bicho-pau” significa sutileza e harmonia e era oferecido principalmente às virgens e

-         a borboleta significa a beleza e a vida e também era oferecida aos noivos.

E por fim, a peça segue para o forno, onde é cozida por aproximadamente 12 horas.  

Uma visita à Ilha de Marajó causa a sensação de se ter voltado no tempo e se tem a nítida sensação que não se precisa de muitas coisas para ser feliz na vida!  

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