Uma das coisas bacanas da vida está no fato do homem poder aprender e adquirir conhecimento ao longo de sua existência. Ao ler o texto a seguir, você poderá descobrir qual é a origem do nome da cidade de Curitiba e qual a sua relação com uma ave da região conhecida como Gralha-azul.

O nome curi  tiba foi dado pelos indígenas que habitavam a região, devido à grande quantidade de pinheiros que lá existia.

 

A palavra curi vem do tupi e é a denominação dada ao pinheiro-do-paraná ou Araucaria angustifolia, cujo habitat natural são as florestas e campos do sul do Brasil e a Austrália. São árvores de grande porte, de folhas pequenas, pontiagudas e duras. Sua madeira de cor branca é muito resistente e valorizada comercialmente.

 

Apresentam suas flores com sexos separados em árvores diferentes. Suas sementes são conhecidas como pinhões, que somente são produzidas pela árvore do sexo feminino. Os pinhões são reunidos e encaixados perfeitamente em grandes bolas que recebem o nome de pinhas.  

 

Já a palavra tiba também vem do tupi e significa abundância ou lugar onde se encontram reunidas muitas pessoas ou coisas.

 

Daí o nome CURI TIBA: "lugar onde se encontravam muitas araucárias".

Esta é a Praça Tiradentes em Curitiba, marco zero do Estado do Paraná, onde a cidade foi fundada. Lá é possível ver algumas araucárias, fazendo jus ao nome da cidade.

 

Devido à qualidade excepcional da madeira da araucária, esta espécie foi largamente explorada por madeireiros inescrupulosos. 

Felizmente o Paraná foi um dos primeiros Estados a ter lei própria sobre as florestas. Trata-se da Lei n° 11.054, de 14 de janeiro de 1995, disponível em http://www.pr.gov.br/iap/

Quando se trata mais especificamente da preservação da Araucaria angustifolia, a Resolução SEMA no. 031 de 24 de agosto de 1998, Art. 274 e 275 deixa claro que deverão ser mantidos, a título de porta-sementes e de material genético, o mínimo de dez indivíduos em média por hectare nas áreas remanescentes de exploração. Da mesma forma, os requerimentos de Autorização para Corte Isolado de Árvores Nativas, exige a reposição de 10 (dez) mudas por árvore abatida, preferencialmente da mesma espécie ou, obrigatoriamente, de espécies ameaçadas de extinção.

As araucárias não eram encontradas apenas em Curitiba e região metropolitana: São José dos Pinhais, Araucária e Pinhais. O Estado do Paraná, no século passado, era coberto por matas de araucárias, numa área total de 80 mil km2. Atualmente esta área esta reduzida a apenas 4% da cobertura original. No entanto, devido à proteção ambiental, estas florestas começam a ser novamente formadas.

Este reflorestamento, por incrível que pareça, não é feito apenas pelas mãos humanas, mas também por uma ave: a Gralha-azul!

 

A Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus, da família dos Corvídeos) é uma ave de reluzente cor azul, com cabeça, peito e frente do pescoço negros, medindo cerca de 40 cm. A fronte tem penas arrepiadas e curtas. Gosta de viver nos pinheirais do sul do Brasil, embora não seja este seu hábitat exclusivo, pois pode ser encontrada também na Mata Atlântica e até em ilhas da baía de Paranaguá.

 

Esta é a ave símbolo do Estado do Paraná devido a um fato curioso que a relaciona com o plantio das araucárias.

Conta a lenda que, uma dada gralha negra, recolhida num galho de pinheiro, foi acordada pelo som dos golpes de um machado. Assustada, voou para as nuvens, para não presenciar a cena de morte do pinheiro. Lá no céu, ouviu uma voz pedindo para que ela retornasse para os pinheirais, pois assim ela seria vestida de azul celeste e passaria a plantar pinheiros. A gralha aceitou a missão e foi totalmente coberta por penas azuis, exceto ao redor da cabeça, onde permaneceu o preto dos corvídeos. Retornou então aos pinheirais e passou a espalhar a semente da araucária, conforme o desejo divino.

Esta lenda na verdade é um fato real. A Gralha-azul tem o hábito (sábio) de enterrar pinhões. No vídeo anexo (clique aqui para ver a Gralha-azul enterrando um pinhão) pode-se ver que ela segura o pinhão no bico de forma que a parte mais pontiaguda lhe permita introduzi-lo no solo mais facilmente. Encontrado o local correto, ela pressiona-o a entrar, conferindo-lhe golpes com o bico, até a completa introdução. Não contente com isso, ainda coloca algum material das redondezas (folha, pedra, galho) em cima do local remexido, de forma a camuflar ou disfarçar o feito realizado.

 

Que a humanidade possa aprender com a nossa Gralha-azul e entender que o equilíbrio e o respeito ecológico entre fauna e flora é fundamental para a existência do Homem na face da Terra!!!