E aí estamos nós, visitando uma parte da região amazônica. Manaus situa-se às margens do Rio Negro e apresenta uma arquitetura muito elegante, graças ao seu passado de esplendor durante o famoso ciclo da borracha. Foi a segunda cidade brasileira a desfrutar de luz elétrica e a primeira a contar com bondes elétricos.

Infelizmente, a biopirataria, levou mudas de seringueira para países do Oriente e seu poderio econômico foi entrando em decadência.

O nome Manaus lhe foi dado em virtude da antiga tribo indígena Manaós. Hoje conta com o impulso econômico proveniente da Zona Franca, que comercializa diversos eletro-eletrônicos produzidos na região.

O Teatro Amazonas, o fabuloso Rio Amazonas e a esplendorosa floresta Amazônica são os três ícones que não se pode deixar de visitar nessa região.

Maiores informações sobre Manaus podem ser encontradas no site: http://www.pmm.am.gov.br  ou  http://www.amazonguide.com.br

 

A Amazônia é considerada a maior área de floresta tropical do mundo. Está localizada em um dos terrenos mais antigos do planeta, e ocupa quase 40% do território brasileiro. 80% das arvores que a compõem são encontradas somente nessa região. Muitas dessas espécies oferecem produtos que há milhares de anos são consumidos e utilizados pelos habitantes da região.

 

 

Conta a lenda dos índios Sateré-mauê que havia 3 irmãos: 2 rapazes e 1 moça. Os rapazes eram muito preguiçosos e dependentes da irmã. Quando ela ficou grávida e deu à luz um menino de belos olhos negros, os tios invejosos o assassinaram aos 5 anos. A mãe retirou-lhe os olhos e plantou-os como sementes, pedindo a Tupã que lhe devolvesse a vida, em forma vegetal. 

E assim surgiu o guaraná, uma planta nativa da Amazônia, com forma de arbusto ou cipó. Seus frutos apresentam um tom avermelhado e as sementes são negras e recobertas por uma parte branca, dando-lhe a aparência de um olho humano. O guaraná é um dos produtos da Amazônia muito valorizados no mercado devido ao seu alto teor do estimulante cafeína.

 

A castanheira do Pará pode chegar a até 60 m de altura. Seu fruto, chamado localmente de ouriço, se desenvolve no alto da copa e pode pesar entre 0,5 e 1,5 kg. Quando ele amadurece e cai da árvore pode ser fatal para animais ou seres humanos. Interessante é o fato de que cada ouriço tem sempre um número ímpar de sementes no seu interior, variando de 15 a 23 castanhas.

Comer uma dessas castanhas frescas é uma verdadeira delícia, bem diferente das que encontramos nos supermercados daqui do sul (torradas e ranças).

 

Da resina da Hevea brasiliensis (a nossa seringueira) é extraída a borracha natural. Sua exploração representou a maior atividade econômica da região amazônica entre os anos de 1870 e 1910, principalmente após a descoberta da borracha vulcanizada (que não amolece com o calor e não resseca com o frio), em 1844, por Charles Goodyear e a invenção do pneu, em 1888, por John Boyd Dunlop.

Maiores informações sobre a seringueira: http://www.iac.br/~rrim600/INDEX.HTM http://walehu.vilabol.uol.com.br/imagens.htm  

Essa descoberta mudou o rumo da região amazônica, trazendo muita prosperidade e riqueza para a região (pelo menos é o que contam os livros de história).

 

 

Na realidade, os seringueiros que extraiam a borracha não possuíam uma organização social e eram praticamente escravizados pelos chamados "patrões", que construíam seus belíssimos casarões às custas do seu suor. Este ao lado era a residência do comerciante alemão Waldemar Scholz e hoje pertence ao governo do estado. É denominada de Centro Cultural Palácio Rio Negro.

 

A cidade ainda mantém o seu espírito mercantilista, com o seu Mercado Municipal repleto de produtos regionais. O Mercado Municipal Adolpho Lisboa foi construído com armações de ferro e vitrais importados da França. Foi construído em 1883 e é uma réplica do antigo Mercado de Les Halles de Paris e ainda mantém a sua imponência.

 

 

As únicas maneiras de se chegar a Manaus são de avião ou de barco. Ela está situada às margens do rio Negro, pouco antes do seu encontro com o rio Solimões para formar o rio Amazonas. 

 

O Porto de Manaus foi projetado e construído por ingleses e inaugurado em 1902. Devido às grandes variações no nível do rio Negro nos períodos de seca e das cheias (que podem chegar a até 15 m), ele foi construído sobre imensas bóias de metal que flutuam à vontade das águas.

 

O teatro Amazonas é um ícone da riqueza e do refinamento trazido pelos barões da borracha no final do século XIX e início do século XX. Sua cúpula externa foi trazida da Turquia e serve para abrigar a imensa cortina do palco, com 15 m de altura, feita em madeira.

 

 

 

As colunas no seu interior são feitas de ferro e foram trazidas da Escócia. Sua construção teve início em 1896 e todo o material utilizado foi trazido da Europa. O piso da entrada é de mármore português, a escadaria é de mármore Italiano e os lustres são de cristais de Veneza.

A famosa cortina de madeira tem 15 m de altura e é pintada com a paisagem do encontro do rio Negro e do Solimões. A mesma teve que ser trazida da Europa em um grande navio para que coubesse inteira. A curiosidade é que a cortina não dobra ao ser erguida para a as apresentações, ficando alojada na cúpula do teatro. 

 

Visitando o Museu de Ciências Naturais (do Japonês) pudemos conhecer o maior peixe de água doce do mundo: o Pirarucu, que pode chegar a 3 m de comprimento e pesar 250 kg. Ele é exclusivo da bacia amazônica. Ele possui 2 aparelhos respiratórios: por guelras e pela bexiga natatória (modificada para funcionar como pulmão).

 

Há também um singelo peixinho que se chama Candiru. Ele é uma espécie de bagre, um voraz carnívoro, e tem afinidade por orifícios humanos. São inúmeros os casos de pênis amputados devido à sua incômoda instalação e difícil retirada.

Maiores informações sobre ele: http://www.internext.com.br/urologia/Casosclinicos.htm  

 

Visitando o zoológico do CIG'S (Centro de Instrução de Guerra na Selva) pode-se ver de perto a famosa onça-pintada. Ao contrário do que se pensa, a onça pintada raramente ataca seres humanos. O cheiro de gente é sinal de perigo para esses felinos, que se afastam mesmo antes de serem vistos. 

 

Durante os anos 60, cerca de 15 mil onças-pintadas foram mortas para o tráfego de suas peles. Não há outro felino que a iguale nos salto a distância. Chegamos bem na hora da onça beber água...

 

Um prato típico muito famoso de Manaus é o tacacá, que é servido até em banquinhas de rua e tradicionalmente tomado no final da tarde (pois é muito quente). 

Ele é feito a partir do caldo cozido da mandioca brava, assim chamada devido ao seu alto teor de cianeto. Com o cozimento, seu efeito tóxico desaparece e surge um caldo amarelo denominado de tucupi. Outro ingrediente importante são as folhas de uma planta nativa denominada jambu (http://www.ecuarural.gov.ec/ecuagro/paginas/hrtl_am/textos/jambu.htm) e que tem a propriedade de amortecer a língua. A isso tudo acrescenta-se camarões secos e serve-se nas típicas cuias pretas "comunitárias".

 

Deixamos Manaus (http://www.hotelsombra.com.br) e fomos passar o Carnaval em um hotel no meio da selva, situado a 3 horas de barco de Manaus. O barco para lá sai do hotel Tropical, no complexo da praia de Ponta Negra, localizado na margem do rio Negro e sobe o rio Negro, chegando próximo a um dos maiores arquipélago fluvial do mundo: o Anavilhanas (http://www.junglepalace.com.br/satelite.htm), entre a imensidão de água do rio. Após 2 horas e meia chega-se ao caríssimo Ariaú Towers (maior complexo hoteleiro de selva da região, com 271 apartamentos interligados por 7 km de passarelas instaladas no nível das copas das árvores).

De lá pegamos uma voadeira (canoa com motor de popa) por 40 minutos e fomos até o hotel Terra Verde, adentrando pela floresta navegando por igarapés.

 

http://www.internext.com.br/terraverde/

 

E aí chegamos ao hotel Terra Verde, onde ficamos por 2 dias e 1 noite emocionantes. O local foi comprado por um cineasta polonês (Sr. Zygmunt) em 1976. Esse era o local de uma antiga fazenda onde funcionava um engenho que produzia a caninha Tiririca (em homenagem ao rio que passa na frente). Ficamos num apartamento de frente para o rio Tiririca.

 

À tarde fomos navegar pelos igarapés, entre os igapós da região. A palavra igarapé significa caminho de canoa, ou seja, é um pequeno canal que permite a passagem das canoas. Já igapó, é a área da floresta que se encontra inundada durante o período das cheias.

Nas épocas de cheias, a água chega a cobrir árvores inteiras. Para evitar o apodrecimento os troncos em geral são envoltos por camadas espessas de cortiça, enquanto as folhas se tornam impermeabilizadas. Em algumas espécies, as raízes são aéreas, o que assegura o suprimento de oxigênio. Quando a copa está submersa o metabolismo da árvore diminui, mas as folhas permanecem e passam a funcionar normalmente logo que o nível da água baixa.

 

A água da bacia do rio Negro apresenta um elevado grau de acidez, com pH 3,8 a 4,9 devido à grande quantidade de ácidos orgânicos provenientes da decomposição da vegetação. Isso faz também com que a água apresente uma coloração escura (parecida com a do chá preto). Em alguns pontos o reflexo das árvores na água é como a de um espelho. A visibilidade varia entre 1,50 e 2,50 metros. Devido a esse baixo pH, os insetos não se proliferam e quase não há mosquitos para nos incomodar.

 

À noite saímos para fazer um passeio de barco e focar jacarés, pois seus olhos brilham quando atingidos pela luz da lanterna e ele fica paralizado. O guia pegou com a mão dois filhotes de jacarés, que já são valentes desde pequeninos. Esse aí é um macho, que batizamos de Wally. Ele queria vir para Curitiba conosco, mas não deu...

 

Na manhã do dia seguinte fomos acordados por um bando de pássaros e em seguida partimos para conhecer uma parte da floresta primária (mantida pelo Sr. Zygmunt com o auxílio de uma ONG), denominada Floresta da Vida. As árvores possuem um sistema de raízes muito denso, que age como um filtro para absorver os nutrientes liberados na decomposição de excrementos, galhos, insetos, fungos e folhas.

 

 

 

 

 

E aí estamos nós tentando abraçar esse tronco da centenária árvore chamada Amapá. Como a maioria dos exemplares da flora, o Amapá também é usado na cura de doenças. No caso dele, para afecções pulmonares e cicatrizante.

Voltando a Manaus, vamos ver como é o famoso Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões. O barco sai do porto de Manaus e vai percorrendo toda a cidade que beira o rio. O passeio até o encontro da águas tem a duração de 7 horas e é feito em embarcações de todos os tipos. Não dá para acreditar na quantidade de água que corre nesses rios, pois a quantidade de água do Rio Amazonas representa cerca de 17% de toda a água líquida do planeta!

Enquanto as águas do rio Negro são escuras e ao mesmo tempo cristalinas, as águas do rio Solimões trazem uma enorme quantidade de sedimentos dos Andes, que lhe conferem uma cor barrenta. Essa água apresenta uma grande quantidade de sólidos em suspensão (principalmente sais de cálcio e magnésio), o que lhe confere um pH que varia entre 6,2 e 7,2 (praticamente neutro).

As águas não se misturam devido a três fatores principais:

                                         rio Negro                 rio Solimões

- velocidade                  2 a 3 km/h                 8 a 9 km/h

- temperatura                25 a 26 ºC                 21 a 22 ºC

- densidade                     menor                        maior

 

No momento em que os dois gigantes se encontram é que se sente o poder da natureza e das mãos de Deus. Não dá para descrever a emoção. Ambos os rios correm lado a lado por cerca de 10 km, a partir de onde o rio Amazonas segue com a sua coloração barrenta até a sua foz no oceano Atlântico a 1.650 km de distância. Suas águas penetram oceano a dentro por 100 km, num "mar" de água doce e barrenta.

 

Maiores informações sobre o Encontro das Águas:

http://www.datanet.yu/live/sat/s_br_manaus.htm  http://www.grid.inpe.br/images.html  

A nascente do Rio Amazonas*, que é a continuidade do Rio Solimões tem local exato discutível e se dá nas cadeias dos Andes do Peru, próximo à cidade de Cusco, onde um dos seus principais afluentes é o Rio Wilcamayu, que passa pelo Valle Sagrado dos Incas e por Machu Picchu (vide informações em Bolívia e Peru).

 

Depois da emoção do encontro das águas fomos navegar por um dos braços do rio Solimões e trocamos a água escura do rio Negro por uma água barrenta. Como a água agora apresenta um pH neutro, os mosquitos a adoram e se proliferam de modo exemplar ...

 

 

 

Pegamos uma canoa e fomos conhecer uma comunidade ribeirinha. Durante o trajeto a Cláudia teve o prazer de pegar um dócil filhote de jibóia na mão. Essa cobra é da mesma família da Sucuri e pode atingir até 5 m e mata suas presas lentamente, por estrangulamento. Neste caso quase a Cláudia matou ela de estrangulamento...

 

 

 

 

Lá pudemos conhecer a maior árvore da Amazônia, a Sumaúma. Ela pertence à mesma família que as Paineiras e Baobás e fornecem uma semente envolta por uma pluma. Chegam a atingir uma altura média entre 30 e 40 m e um tronco de até 1,60 m de diâmetro. Suas raízes funcionam como escoras para aumentar a estabilidade dos troncos e são denominadas Sapopemas.

 

E agora vamos rumo a mais uma aventura, quando tivemos a oportunidade de segurar a segunda maior cobra do mundo: um filhote de Sucuri de 2,5 m de comprimento. Um animal adulto pode atingir até 12 m. Possui uma extraordinária força muscular, capaz de estraçalhar os ossos das suas presas. Embora aos berros, a Cláudia encarou a cobra.

 

 

E assim nos despedimos de Manaus e região Amazônica, um lugar maravilhoso que todos os brasileiros deveriam ter o direito de conhecer. Você só defende aquilo que realmente conhece!!!

 

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