Esta nossa viagem teve como destino dois países da América do Sul: Bolívia e Peru, nas áreas que se situam entre as cadeias de montanhas dos Andes. Nas regiões de La Paz, Lago Titicaca (na Bolívia) e Cusco (no Peru) as altitudes se encontram sempre acima dos 3.000 m. Nesta altitude, a pressão atmosférica cai bastante, bem como o nível de oxigênio no ar. Estes dois fatores associados provocam diversos sintomas orgânicos desagradáveis como: dor de cabeça, cansaço, dores no corpo e raciocínio lento, o que é conhecido por eles como "mal da altura" ou "soroche". Para aliviar estes sintomas, eles têm por hábito, consumir um chá feito a base de folhas de coca. Esta planta contém substâncias alcalóides, que são semelhantes à nossa cafeína do café (no caso da coca é a cocaína) que ativam a circulação no cérebro (fazem uma vasoconstrição dos vasos sangüíneos) e com isso se os sintomas são amenizados. Se preferir, analgésicos à base de cafeína também dão bons resultados. Mas o pior de tudo é a qualidade microbiológica dos alimentos e da água. Sem comentários...

A paisagem no entanto é algo fascinante, pois acima dos 5.000 m se encontram os picos com neves eternas, sempre branquinhos!!!

Vamos então conhecer um pouco da história destes dois países que têm uma cultura muito rica e secular...

Com relação à Bolívia, não encontramos muitos sites de informações turísticas, mas aqui vai o de uma das melhores agências turísticas de La Paz: www.titicaca.com 

Já no Peru, o site www.peru.org.br  é o mais indicado.

 

 Começamos nosso trajeto pela Bolívia, na cidade de La Paz. Logo na chegada do aeroporto já encontramos uma "sala de oxigenoterapia" uma vez que o Aeroporto fica numa área mais alta a 4.100 m. 

 

 

La Paz fica em um vale entre as montanhas, com altitudes variando entre 3.600 a 3.000 m. Sua montanha mais famosa é o Monte Illimani que dá o charme à cidade com suas neves eternas.

 

Ao contrário do que se imagina, a Bolívia não é um país pobre, mas sim um país indígena, onde o conceito de riqueza é bem diferente do convencional no sistema capitalista. 65% da população boliviana é constituída por índios que sempre mantiveram sua cultura e tradições, mesmo em meio à colonização espanhola.

A diferença entre as culturas sempre existiu e ainda existe.

 

 Há um local denominado de "Rua das Bruxas" onde se encontra todo comércio de artigos indígenas. Esta barraca tinha todos os tipos de amuletos bem como um kit básico de "despacho" composto principalmente de um feto embalsamado de llama, utilizado em diversos rituais de origem indígena.

 

A produção e comercialização de artigos de lã é muito comum na região, não só porque faz muito frio à noite como também porque eles dispõem de animais que fornecem este tipo de matéria-prima.

 

 

 

A lã é obtida de animais típicos da região, como: as llamas (animal marrom escuro) e das alpacas (animal branco e marrom claro). Ao lado, um curral destes animais: as llamas têm pelagem mais baixa e com pouca lã na cabeça (a lã fornecida é de baixa qualidade). As alpacas têm mais lã (inclusive na cabeça), são mais baixas e mais simpáticas.

Estes animais têm o hábito de cuspir na cara das pessoas quando se sentem incomodados.

 Imaginem se a Cláudia não levou uma bela cusparada na cara depois dessa filmagem. Por pouco não ficou conhecida como a "Geni dos Andes"...

 

Ao contrário do que se ensina nos livros, La Paz não é a capital da Bolívia, mas sim a sede do governo e do senado. A capital é a cidade de Sucre que se situa ao sul do país.

 

Ao lado, o Palácio Presidencial. O uniforme dos guardas presidenciais é histórico e foi utilizado pelos soldados bolivianos durante a Guerra do Pacífico, que foi travada com o Chile em 1860. A Bolívia perdeu a guerra bem como sua única saída para o oceano Pacífico, que hoje é de propriedade do Chile. Até hoje as relações internacionais entre os dois países é complicada. Existe inclusive uma zona de fronteira que apresenta minas, que é denominada de "terra de ninguém"...

 

 

 

 

 

Outro local muito bonito de La Paz é o Valle de la Luna. Trata-se de uma formação argilosa, que vem sofrendo a ação das chuvas há séculos, criando uma paisagem árida e que se assemelha a da Lua. Logo em seguida que a Apollo 11 voltou da Lua, o astronauta Neil Armstrong foi visitar o local e lhe perguntaram o que ele achava. Ele respondeu: "Isso aqui é muito mais bonito que a Lua!"

E deixando o Valle de la Luna, bem como a cidade de La Paz, vamos em direção ao centro do início da civilização das Américas: as Ruínas de Tiwanaco.

Por volta do ano 2.000 AC, surge a civilização Tiwanaco contemporânea da civilização da Mesopotâmia. As ruínas que estamos visitando são da época de 200 DC. Esta cultura tinha conhecimentos bem definidos sobre a astrologia, cerâmica decorada e instrumentos de cobre e bronze.

Muitos dos templos do local (principalmente a pirâmide de entrada) foram destruídos no período colonial onde as pedras dos templos foram saqueadas para a construção de igrejas católicas. Hoje, o governo boliviano se esforça para manter o local em boas condições de visitação, inclusive com um museu histórico na entrada do local.

 

Este monolito se encontra bem no centro do templo Kalasasaya e está alinhado com a porta de entrada de forma que sua sombra seja projetada perpendicularmente à parede do templo no dia de solstício de inverno (entre 22 e 23 de junho) e no solstício de verão (entre 22 e 23 de dezembro). Todo este conhecimento foi desenvolvido através dos séculos e tinham como objetivo, auxiliar na determinação da melhor data para o plantio.

 

 

E assim nos despedimos de Tiwanaco e seguimos rumo ao Lago Titicaca.

A Guerra do Pacífico deixou uma mágoa muito grande nos bolivianos, sendo que até hoje eles esperam recuperar o pedaço de litoral perdido para o Chile.

 

Dizem que o Presidente FHC quando em visita à Bolívia teve um acesso de riso quando viu a placa ao lado citando a "Força Naval Boliviana" e se dirigiu ao presidente boliviano: " Por que vocês tem um Ministério da Marinha se não tem mar?". A resposta foi rápida: " Pelo mesmo motivo que vocês tem o Ministério da Justiça..."
 

O Lago Titicaca originou-se do levantamento de uma porção de mar após o choque de duas placas tectônicas há milhares de anos. Isto na verdade não só gerou o lago como toda a cadeia dos Andes. 

 

 

Suas águas inicialmente eram salgadas, mas com o tempo foi sendo alimentado por águas de geleiras e por lençóis subterrâneos de forma que sua água hoje contém 0,5% de sal, sendo potável, mas não utilizável para irrigação. 

Mas o mais interessante de tudo são os barcos de junco denominados de totora, que ainda navegam (em caráter turístico) pelas águas do Titicaca.

A totora é um junco que nasce às margens do lago e apresenta uma fibra muito resistente e leve. As tototas são colhidas, secas e com elas se faz um trançado resistente que permite a flutuação sem que o barco se inunde de água. No entanto, este trançado é um conhecimento secular dos incas e apenas dominado pelos atuais índios. 

 

Prova disso ocorreu em 1970 quando um navegador norueguês tentou atravessar o oceano Atlântico com um barco de totora construído por pessoas comuns. No meio da travessia o barco se encharcou de água e afundou. Tempos depois, voltaram a construir novo barco, dessa vez sobre a responsabilidade deste índio e de seus 3 irmãos. Desta vez a nau atravessou perfeitamente o oceano, provando que o conhecimento inca é superior ao da nossa atual civilização. Um barco de totora chega a durar por volta de 1 ano na água.
 

 

E aí vamos nós navegar no Lago Titicaca. O barco empregado para isso é este aí do folder, que chega a desenvolver uma velocidade de 60 km/h, funcionando como se fosse uma lancha gigante e elevando-se da água através de um sistema de pás.

Dá para ver pela nossa cara o quanto é emocionante o passeio. Voa água para todos os lados. A Cláudia ficou ensopada...

 

 

Uma das ilhas visitadas é a Ilha del Sol onde nós almoçamos e comemos um pescado chamado "peixe-rei" maravilhoso e inesquecível...

Esta ilha é famosa por dois motivos:

 

Um deles porque é aqui que se encontra a Fonte da Eterna Juventude, que foi construída pelos incas mais antigos cuja água é proveniente de um lençol subterrâneo que vem das geleiras dos Andes.

A Cláudia pegou logo uma garrafa para se garantir...

 

 

O outro motivo, diz a lenda que foi desta ilha, das águas do Lago Titicaca que os incas primordiais: Manco Kapac e a sua esposa e irmã Mama Oclla (foto abaixo), filhos do sol, emergiram, e daqui migraram para a região norte, onde fundaram a cidade de Cusco, que seria mais tarde a capital de todo o Império Inca.

 

Em seguida fomos conhecer a cidade de Copacabana, às margens do Lago. Esta cidade abriga o maior santuário da Bolívia: Nossa Senhora Morena de Copacabana. Esta santa é muito cultuada na Bolívia e apresenta traços indígenas bem como cabelos morenos e lisos.

 

E assim nos despedimos da Bolívia com as benções de Nossa Senhora Morena de Copacabana!!!

 

Resta ainda uma dúvida: Qual a origem do nome Titicaca???

Diz a lenda que na ilha del Sol havia uma pedra que tinha o formato de um gato montanhês comum na região denominado de Titi. A palavra pedra na linguagem inca é expressa por Caca. Daí veio o nome: a pedra do gato titi: Titicaca, representado por estas carrancas nos barcos de totora do lago.

E agora, conhecendo a capital do Império Inca: Cusco no Peru, que foi tombada pela UNESCO como patrimônio histórico da humanidade.

Seu nome, na linguagem indígena quechua significa "umbigo do mundo", devido ao fato de que dela partiam uma vasta rede de caminhos que uniam praticamente toda a América desde o sul da Colômbia até o norte da Argentina, muitos dos quais são utilizados até hoje.

 

Era chamada pelos incas como "a casa e a morada dos deuses". Foi nesta cidade que o Manco Kapac e a Mama Oclla fincaram o bastão sagrado de ouro do Deus Sol e fundaram o Império Inca. Esta é a praça central da cidade: Plaza de las Armas, onde se encontra o centro comercial da cidade.

 

Da cidade de Cusco, partimos para conhecer os locais sagrados que ficam às suas cercanias.

O primeiro deles é o conhecido como Valle Sagrado de los Incas. Esta área que se estende desde Machu Picchu até Pisac tem uma extensão em torno de 100 km, incluindo muitas cidades e a maioria dos monumentos que foram construídos durante o Império Inca. 

 

 

Recebe este nome na mitologia como "o lugar onde o Filho do Sol se originou".

O vale por onde o Rio Wilcamayu (rio sagrado) corre, acompanha o sentido observado no céu pela Via Láctea.

Este rio é o mesmo que passa no sopé da montanha de Machu Picchu e é o principal afluente do Rio Amazonas.

 

 

Outro local impressionante é a cidade de Ollantaytambo, construída nas encostas de uma montanha. Esta cidade foi concebida em dedicação à agricultura do milho, principal cultura da época (e também dos dias de hoje). O milho é originário das Américas e foi primeiramente domesticado no México e no Peru. 

 

 

Nas encostas da montanha de granito a sua frente se encontra uma escultura do Deus primordial dos Incas: Wiracocha (aquele que criou o mundo a partir das trevas). Observe na foto abaixo à direita que ele aparece bem esculpido na montanha. Uma foto da escultura analisada por computador, revelou o desenho que se vê na foto acima:

O Deus Wiracocha se encontra com seu bornal repleto de suprimentos e que atrairia colheitas fartas e constantes para o povo.

 

E aqui vamos nós conhecer o mais importante atrativo turístico e cultural de Cusco e do Peru: MACHU PICCHU, que é considerada uma das mais extraordinárias mostras de arquitetura paisagística do mundo, sendo que a UNESCO declarou Machu Picchu como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Machu Picchu permaneceu escondida da civilização moderna (e principalmente dos espanhóis) até 1911 quando foi descoberta por um explorador norteamericano Hiram Bingham.

O acesso a Machu Picchu não é fácil. O percurso é feito por trem e leva 3 e 1/2 horas até a cidade de Águas Calientes e em vista à paisagem deslumbrante o tempo se torna breve.

Machu Picchu significa na linguagem indígena "montanha velha" e se refere à ela como a pedra fundamental ou primordial da civilização inca.

 

Ela recebe seus visitantes com um "out door" gigante esculpido nas montanhas à sua frente. O tempo fez com que a erosão e a vegetação deformassem um pouco as figuras, mas ainda é possível distinguir o puma (animal sagrado que representa o plano terrestre) e o condor (que representa o plano dos deuses), cuja identificação é facilitada com a ajuda da análise gráfica por computador.

 

 

Em meio a todo esse verde, que na verdade é o início da Floresta Amazônica, ela foi estrategicamente construída. Tinha como objetivo servir de ponto de conquista para toda a região amazônica.

 

 

E por fim, cheios de energia, nos despedimos de Machu Picchu, neste local incrível. Trata-se de um pátio (situado no final da planta da cidade) onde esta rocha (na qual a Cláudia está apoiada de braços abertos) foi esculpida aos moldes da montanha logo à sua frente. 

A Cláudia experimentou o contato direto com o cosmos, à moda dos Incas, e saiu de lá com as pernas bambas: "Eu, Cláudia, não consigo descrever o que vi e senti naquele momento!!!"

 

Esta experiência foi muito interessante para nós. Conseguimos entender o quanto os "países desenvolvidos" podem trazer de danos a uma cultura. Os povos incas e pré-incas que habitaram a região eram muito sábios e cultos. E a prova disso está lá, esculpida nas montanhas e assentada nas construções (que resistiram às mãos implacáveis dos colonizadores).

A pergunta: "Eram os Deuses Astronautas?" nada mais é do que uma tentativa de manter o título de "países sub-desenvolvidos" e incapazes de ter seu próprio desenvolvimento tecnológico de ponta.

Caso necessite de mais informações técnicas sobre estes locais de alta tecnologia, recomendamos o livro: 

SALAZAR & SALAZAR. Cusco and the Sacred Valley of the Incas. Editora Tanpu: Cusco, 2001.    

 

VOLTAR