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No século VI a.C. produziu-se um salto qualitativo no progresso de
todos os campos do saber, com o florescimento da cultura na Grécia. Por
meio da pesquisa e da dedução pretenderam os gregos chegar ao
conhecimento do mundo e das leis que os regem, numa atitude que
constitui a origem da ciência ocidental. Em alguns dos sistemas globais
então imaginados, já se percebia uma atitude evolucionista, pois
sustentavam que os seres vivos se haviam formado a partir da matéria
inanimada. Para Tales de Miléto, tal formação se originava da
condensação da água. Anaximandro, um de seus discípulos, acreditava
que os primeiros seres vivos tinham sido os peixes, formados a partir de
lama, os quais, ao abandonarem a água, teriam iniciado o
desenvolvimento de outros animais.
A escola Pitagórica
fez importantes estudos anatômicos; Alemon de Crotona, situou no
cérebro a sede do intelecto e realizou os primeiros estudos sobre embriões.
Na ilha de Cós, onde viveu Hipócrates, considerado o fundador da
medicina ocidental, criou-se uma importante escola médica, no século V
a.C.
Aristóteles, que
viveu no século IV a.C., tem importância especial, dada a influencia
que suas idéias exerceram mais tarde na Europa. Coube-lhe formular o
primeiro sistema de classificação dos animais, dividiu em animais de
sangue e animais sem sangue(em linhas gerais, correspondem aos atuais
vertebrados e invertebrados). Ainda se consideram válidas algumas de
suas afirmações, como a da existência de órgãos homólogos (que se
apresentam em diferentes espécies de organismo e que foram herdados de
um ancestral comum) e órgãos análogos (que se apresentam em
diferentes espécies de organismos e têm função similar). Outra
constatação de Aristóteles ainda vigente no conhecimento biológico
é a da adaptação estrutural e funcional dos seres vivos ao meio.
Teofasto, discípulo
de Aristóteles, deteve-se mais no estudo das plantas: ocupou-se de sua
sistemática, já que agrupou diversas espécies afins: analisou sua
nomenclatura e deu nome as diferentes partes das planta; descreveu com
precisão a estrutura dos diversos tecidos, pelo que é considerado
fundador da anatomia vegetal; e estudou os fenômenos da polinização e
do desenvolvimento das sementes com o que firmou as bases da embriologia
botânica.
Com a queda do
império de Alexandre, o foco cultural transladou-se da Grécia para a
cidade egípcia de Alexandria, onde se destacaram no campo da biologia,
Erasistrato, que estudou o aparelho circulatório e Herófilo, que
dissecou corpos humanos e descreveu o sistema nervoso.
Durante a era
romana viveram Dioscórides, botânico que escreveu um tratado sobre
ervas medicinais cuja influencia perdurou por toda Idade Média; Plínio
o Velho, cuja História natural, apesar de misturar elos científicos a
lendas e superstições, foi obra respeitada de consulta nos séculos
posteriores; e Galeno, cuja obra constituía o fundamento teórico da prática
médica, embora suas pesquisas anatômicas não se baseassem no corpo
humano, mas no de animais.No século VI a.C. produziu-se um salto
qualitativo no progresso de todos os campos do saber, com o
florescimento da cultura na Grécia. Por meio da pesquisa e da dedução
pretenderam os gregos chegar ao conhecimento do mundo e das leis que os
regem, numa atitude que constitui a origem da ciência ocidental. Em
alguns dos sistemas globais então imaginados, já se percebia uma
atitude evolucionista, pois sustentavam que os seres vivos se haviam
formado a partir da matéria inanimada. Para Tales de Miléto, tal
formação se originava da condensação da água. Anaximandro, um de
seus discípulos, acreditava que os primeiros seres vivos tinham sido os
peixes, formados a partir de lama, os quais, ao abandonarem a água,
teriam iniciado o desenvolvimento de outros animais.
A escola
Pitagórica fez importantes estudos anatômicos; Alemon de Crotona,
situou no cérebro a sede do intelecto e realizou os primeiros estudos
sobre embriões.
Na ilha de Cós, onde viveu Hipócrates, considerado o fundador da
medicina ocidental, criou-se uma importante escola médica, no século V
a.C.
Aristóteles, que
viveu no século IV a.C., tem importância especial, dada a influencia
que suas idéias exerceram mais tarde na Europa. Coube-lhe formular o
primeiro sistema de classificação dos animais, dividiu em animais de
sangue e animais sem sangue(em linhas gerais, correspondem aos atuais
vertebrados e invertebrados). Ainda se consideram válidas algumas de
suas afirmações, como a da existência de órgãos homólogos (que se
apresentam em diferentes espécies de organismo e que foram herdados de
um ancestral comum) e órgãos análogos (que se apresentam em
diferentes espécies de organismos e têm função similar). Outra
constatação de Aristóteles ainda vigente no conhecimento biológico
é a da adaptação estrutural e funcional dos seres vivos ao meio. |
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Com o fim da civilização romana, a cultura clássica entrou em fase de
regressão e coube ao mundo árabe a recuperação de um legado de
conhecimentos mais tarde reintroduzidos na Europa graças às traduções
do árabe para o latim. Entre os cientistas árabes que intervieram
nesse importante trabalho de ligação destacam-se al-Yahiz, que viveu
no século lX e elaborou um dos primeiros tratados de zoologia, o Livro
dos animais; e Avicena (Ibn Sina), que no século XI redigiu, entre
outras obras de interesse capital, o Cânon de medicinas, paradigma da
ciência biológica medieval.
Nos séculos XII
e XIII reativou-se a cultura européia, fundaram-se escolas e
universidades. Surgiram figuras como o santo Alberto Magno e Roger
Bacon. O primeiro escreveu tratados sobre animais e plantas, baseados
principalmente nos escritos de Aristóteles. Durante o século XIV começaram
a ser feitas dissecações de cadáveres, o que fez a anatomia progredir
acentuadamente.
Renascimento.
Durante o século XVI, fatores como o êxodo dos sábios bizantinos para
o Ocidente, depois da conquista de Constantinopla pelos turcos, e a
invenção da imprensa propiciaram novo impulso ao estudo da natureza em
geral e da biologia em particular. O anatomista flamengo Andreas
Vesalius ensinou na Universidade de Pádua, onde realizou estudos anatômicos,
relatados na obra De humani corporis fabrica libri septem
(1543; Sete livros sobre a estrutura do corpo humano ). No campo da
fisiologia, o espanhol Miguel Servet iniciou o estudo da circulação
sangüínea , concluído no século XVII pelo inglês William Harvey.
Por essa época foram publicados tratados de zoologia, como o do suíço
Conrad Gesner, que incluía estudos anatômicos desenhados por Albert
Durer, e descreveram-se a flora e a fauna das mais longínquas regiões.
Ante a grande quantidade de plantas e animais que iam sendo registrados,
tornou-se necessário aperfeiçoar os sistemas de classificação.
Andrea Cesalpino, botânico italiano, procurou estabelecer um sistema de
diferenciação das plantas baseado na estrutura de flores, sementes e
frutos. Estabeleceu assim as primeiras hipóteses sobre os mecanismos de
reprodução dos vegetais. O suíço Gaspard Bauhin concebeu um sistema
em que atribuía a cada planta dois nomes: o genérico e o específico.
A montagem de herbários, a que se incorporavam as plantas trazidas por
viajantes ou por expedições científicas, contribuiu bastante para o
desenvolvimento da botânica nessa época. Também foi fundamental a
criação de jardins botânicos, geralmente ligados a universidades,
como os de Pisa, Bolonha, Leyden, Oxford e Paris.
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No século XVII fundaram-se numerosas sociedades científicas, como a
Royal Society britânica ou a Academia de Ciências francesa, e com elas
surgiram as primeiras revistas científicas. Nas discussões entre os
membros dessas instituições, freqüentemente se fazia referência a um
instrumento que viria abrir novas portas ao conhecimento biológico: o
microscópio. Com esse aparelho, o italiano Marcelo Malpighi examinou
grande quantidade de tecidos animais e vegetais. Em 1665, Robert Hooke
descobriu a estrutura celular e utilizou pela primeira vez a palavra célula.
Os primeiros microorganismos, inicialmente denominados animálculos,
foram descobertos pelo holandês Antonie van Leewenhoock em infusões
que ele mesmo havia preparado. O microscópio também permitiu confirmar
a existência de espermatozóides no liquido seminal. Esta descoberta
gerou as escolas espermistas e ovulistas, uma das tendências em que se
dividiu a teoria da pré-formação. Os pré-formistas sustentavam que
nas células sexuais (nos espermatozóides, para os espermistas, ou no
óvulo, para os ovulistas) existia latente uma mistura do ser vivo. Tal
teoria contestava a da epigenesia, que defendia a formação gradual do
embrião.
Outros
microscopistas pesquisaram tecidos animais e vegetais. O holandês Jan
Swammerdam estudou a anatomia a estrutura das células das plantas.
Outro tema de controvérsia foi o da geração espontânea. Dois
microscopistas, o inglês John Tuberville Needham e o italiano Lazzaro
Spallanzani, isolaram e cultivaram infusões, e obtiveram resultados
opostos. Só no século XIX Pasteur demonstrou cabalmente a
impossibilidade da geração espontânea.
Durante o século XVIII
realizaram-se novos estudos químicos relacionados com a biologia.
Lavoisier estudou o papel desempenhado pelo oxigênio na respiração
animal e a utilização do dióxido de carbono pelas plantas. A importância
da luz solar para os processos vitais do mundo vegetal foi revelada pelo
holandês Jan Ingenhousz, descobridor da fotossíntese; pelo suíço
Nicolas Thëodore de Saussure, que consolidou grande parte dos princípios
da fisiologia vegetal; e pelo também suíço Jean Senebier, que
observou a liberação de oxigênio pelas plantas.
No mesmo século
viveu o sueco Karl von Linné, conhecido como Lineu, que utilizou o
sistema binominal para designar todas as plantas e animais catalogados
em sua obra Systema Naturae (1735; Sistema da natureza), que
agrupava as diferentes espécies em gênero, famílias, ordens e classes
sucessivamente e baseava-se na semelhança de certas características
concretas que escolhera, como a forma da flor, no caso das plantas, ou a
forma e o número de dentes e dedos para os animais.
Durante o século
XVIII e XIX realizaram-se numerosos estudos de anatomia comparada com o
fim de verificar as semelhanças existentes entre as diversas espécies
animais. Destacaram-se nesse campo o inglês Edward Tyson e o francês
Georges Cuvier. Esse último compreendeu a relação entre as diferentes
partes de um mesmo animal, o que possibilitou deduzir a forma do animal
completo a partir de um pequeno resto. Tal recurso constitui fator
fundamental para o estudo dos fósseis. O próprio Cuvier, com suas
Recherches sur lesossements fossile des quadrúpedes (1812; pesquisas
sobre as ossadas fósseis de quadrúpedes), estabeleceu o universo
precursor da ciência que se ocupa do estudo dos fósseis, a
paleontologia.
Muitos fatores
influíram na divisão dos biólogos em diferentes correntes de opinião,
freqüentemente opostas. Entre esse fatores incluem-se as afinidades
anatômicas entre animais de diferentes espécies, como por exemplo as
que foram identificadas por Tyson entre o homem o e chimpanzé: a hipotética
existência de uma hierarquia para todos os seres vivos Leideniz a
predizer a descoberta de formas de transição entre as plantas e os
animais; e o achado de fósseis de animais extintos. Sobre esse último
ponto, houve duas correntes; a dos catastrofistas, entre os quais Cuvier,
que viam nas catástrofes naturais a explicação para a fossilização
dos animais, e a dos que, como o conde de Duffon, atribuíam à influência
do habitat, do clima ou dos alimentos a transformação de certos seres
vivos em outros.
Um novo passo na
formulação das idéias evolucionistas foi dado por Jean-Baptiste de
Monet Lamarck, que em sua Philosophie Zoologique (1809;
Filosofia zoológica) afirmou que o meio modifica as plantas e animais;
chegou assim à lei do uso e desuso. Baseado na herança de caracteres
adquiridos, sustentava ele que mudanças ambientais demandariam uma
utilização dos órgãos, os quais se tornariam mais desenvolvidos, e
as transformações seriam então transmitidas para a prole do
organismos. A falta de uso dos órgão levaria a retrocessos.
Finalmente as idéias
transformistas se consolidaram na teoria de Charles Darwin , exposta em
seu livro On The Origin of Species by Means of natural Selection (1859;
Sobre as origens das espécies por meio da seleção natural). Baseado
em uma vasta coleção de dados, coletados em vários lugares do mundo e
na ampla competência teórica adquirida durante anos de pesquisas,
Darwin afirmou nesta obra que, dentro da enorme variedade que se observa
numa mesma espécie, o meio seleciona os indivíduos mais aptos à
sobrevivência, os quais transmitem à descendência suas próprias
características.
As obras de dois
pesquisadores, Thomas Robert Malthus e Charles Lyel, tiveram profunda
influencia na origem e desenvolvimento das idéias evolucionistas de
Darwin. A obra de Malthus, intitulada An Essay on the Principle of
Population (1878; Ensaio sobre o principio da população), foi
publicada em Londres e logo provocou grandes discussões em todo mundo
científico da época. Lyel , fundador da geologia, publicou também em
Londres o livro Principles of Geology (1832; Principios de geologia),
também de ampla repercussão.
Além do grande
avanço conceitual proporcionado pelas teorias evolucionistas de Darwin
e de outros naturalistas, como Alfred Russell Wallace, o século XIX foi
fecundo para a biologia em muitos outros campos. À luz das descobertas
do alemão Christian Heineich Pander e do estoniano Karl Ernst von Baer
em seus estudos sobre embriologia, descartaram-se as idéias pré-formistas.
Estabeleceram-se
as bases da teoria celular, segundo a qual todos os organismos se compõem
de células. Essa teoria foi aplicada às plantas por Matthias Jakob
Schleiden e aos animais por Thedor Schwann. Virchow afirmou que toda célula
provém de outra célula e deu um impulso à patologia celular ao
relacionar algumas doenças com processo celulares anormais.
Hugo von Mohl
descobriu a existência de um núcleo e de um protoplasma na célula.
Também se estudou o processo da mitose, pelo qual uma célula se divide
em duas, nos animais (Walther Flemming) e nas plantas (Eduard Strasbuger).
O zoólogo alemão Hermann Fol descreveu o processo de fecundação do
óvulo pelo espermatozóide, e o citologista belga Edouard van Benedem,
o da meiose, para formar os gametas. Outro avanço fundamental no campo
das ciências biológicas resultou do trabalho de Pasteur, que
demonstrou o papel desempenhado pelos microrganismos no desenvolvimento
de doenças infecciosas e realizou estudos sobre a fermentação, a
partir dos quais Eduard Buchner conseguiu isolar uma das enzimas
participantes desse processo.
Em fins do
século XIX,. o dinamarquês Johanes Eugenius bulow Warming publicou
Plantesamfund gundirak af den ockologiske pplantegeografi (1895;
Geografia vegetal ecológica), onde apareceu pela primeira vez o termo
"ecologia" , cunhado por Ernst Haeckel, junto com uma ampla
discussão teórica que redundou na fundação da ecologia. Outro
pesquisador que muito contribuiu para as bases dessa ciência foi o botânico
alemão Andreas Schimper, que publicou Pflanzengeographie auf
physiologisher Grundlage (1898; Geografia vegetal em bases filosóficas).
Vários
cientistas, sobretudo fitogeógrafos, em atividade nos fins do século
XIX e início do século XX, ajudaram a consolidar esse ramo da
biologia. A ecologia desenvolveu-se na Segunda metade do século XIX,
graças principalmente ao trabalho do inglês Charles Elton, fundador da
ecologia animal , e do americano Robert McArthur, um dos pioneiros da
ecologia geográfica.
Os trabalhos de
monge austríaco Gregor Johann Mendel constituíram o núcleo a partir
do qual se desenvolveu a genética moderna. Para executar seus
experimentos, Mendel adquiriu em casas especializadas sementes de 34
variedades puras de ervilhas. Para assegurar-se de que estava lidando
com variedades verdadeiramente puras, cultivou-as durante vários anos,
antes de iniciar suas experiências. Constatou então que o fenômeno
encaixava-se em regras simples, que o botânico holandês Hugo de Vries
chamou de leis de Mendel, primeiras leis da herança genética e também
primeiras leis quantitativas em biologia.
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